Capítulo 04
Grandes Figuras da Eletricidade
Cientistas, engenheiros e empresários que converteram observações em instrumentos, motores, redes e indústria.
Grandes Figuras da Eletricidade
Cientistas e engenheiros cujas descobertas tornaram possível o mundo que habitamos.

Tales de Mileto
c. 624–546 a.C.
📍 Jónia (atual Turquia)
Filósofo natural grego a quem a tradição atribui uma das primeiras observações ocidentais de atração eletrostática com âmbar esfregado.
💡 É frequentemente incluído entre os Sete Sábios da Grécia; vários relatos antigos também lhe atribuem uma previsão de eclipse.
Fonte: Encyclopaedia Britannica; Aristotle, Metaphysica

William Gilbert
1544–1603
📍 Inglaterra
Médico da rainha Elizabeth I. Usou o termo "electricus" e distinguiu experimentalmente fenómenos elétricos de fenómenos magnéticos.
💡 O seu versório, uma agulha leve que rodava perto de objetos eletrizados, é antepassado dos eletroscópios.
Fonte: Gilbert, De Magnete (1600); IEEE ETHW

Benjamin Franklin
1706–1790
📍 Colónias Americanas → EUA
Demonstrou que relâmpagos são descargas elétricas. Inventou o para-raios. Introduziu os termos carga positiva/negativa, condutor e bateria elétrica.
💡 A experiência com papagaio de papel é famosa, mas Franklin também contribuiu com teorias, instrumentos, linguagem técnica e redes internacionais de investigação elétrica.
Fonte: Smithsonian NMNH; Encyclopaedia Britannica; Richardson (2014)

Luigi Galvani
1737–1798
📍 Itália (Bolonha)
Anatomista e físico. Observou contrações musculares em rãs associadas a estímulos elétricos. A sua teoria da "eletricidade animal" gerou um debate decisivo com Volta.
💡 A palavra "galvanismo" deriva do seu nome. Mary Shelley usou as suas ideias para Frankenstein (1818).
Fonte: Galvani, De Viribus Electricitatis (1791); Science Museum Group

Alessandro Volta
1745–1827
📍 Itália (Lombardia)
Inventor da pilha voltaica (1800), a primeira bateria. O volt (V) e a força eletromotiva (força de Volta) foram nomeados em sua homenagem.
💡 Fez a pilha como reação ao debate com Galvani, para provar que a corrente vinha dos dois metais diferentes, não da "eletricidade animal".
Fonte: IEC History; Science Museum Group; Encyclopaedia Britannica

André-Marie Ampère
1775–1836
📍 França (Lyon)
Pai da eletrodinâmica. Descobriu a relação entre correntes elétricas e campos magnéticos, formulando a lei de Ampère. O ampere (A) é unidade de corrente.
💡 Ampère desenvolveu uma linguagem matemática para descrever forças entre correntes, abrindo caminho à eletrodinâmica.
Fonte: Encyclopaedia Britannica; IEEE ETHW

Georg Ohm
1789–1854
📍 Prússia (atual Alemanha)
Formulou a Lei de Ohm (V = IR), a relação fundamental entre tensão, corrente e resistência. Uma das equações mais básicas da engenharia elétrica.
💡 O seu trabalho foi inicialmente rejeitado pelos académicos alemães — consideraram-no "uma filosofia vazia". Hoje é conhecido universalmente.
Fonte: Encyclopaedia Britannica; Science Museum Group

Hans Christian Ørsted
1777–1851
📍 Dinamarca
Primeira pessoa a registar que corrente elétrica afeta uma agulha magnética (1820), provando a ligação entre eletricidade e magnetismo.
💡 A sua descoberta foi acidental — ocorreu durante uma demonstração em aula. O mês Ørsted é considerado o início da era eletromagnética.
Fonte: Ørsted (1820); IEEE ETHW; Encyclopaedia Britannica

Michael Faraday
1791–1867
📍 Inglaterra
O maior experimentalista do século XIX. Descobriu a indução eletromagnética, o motor elétrico primitivo, a eletrólise e as linhas de campo magnético. Base da geração e distribuição elétrica moderna.
💡 Teve pouca educação formal e trabalhou como encadernador; o contacto com livros e palestras científicas abriu-lhe caminho até à Royal Institution.
Fonte: Faraday (1831); Royal Institution; IEEE ETHW

James Clerk Maxwell
1831–1879
📍 Escócia (Edinburgh)
Unificou eletricidade, magnetismo e luz numa única teoria matemática. As equações de Maxwell são consideradas a segunda maior unificação da física depois de Newton.
💡 Einstein admirava profundamente Maxwell: a relatividade nasceu também do esforço para compreender as equações eletromagnéticas.
Fonte: Maxwell (1865); Encyclopaedia Britannica; IEEE ETHW

Thomas Edison
1847–1931
📍 EUA (Nova Jersey)
Desenvolveu uma lâmpada incandescente viável e prática (1879) e construiu a Pearl Street Station (1882), marco dos sistemas centrais comerciais. Tinha mais de mil patentes nos EUA.
💡 O laboratório de Menlo Park tornou a invenção um trabalho de equipa, com técnicos, maquinistas e engenheiros a iterar protótipos rapidamente.
Fonte: Smithsonian NMNH; IEEE History Center

Nikola Tesla
1856–1943
📍 Império Austro-Húngaro → EUA (atual Croácia; sérvio)
Inventor do motor de indução AC e dos sistemas polifásicos. O seu trabalho com Westinghouse venceu a Guerra das Correntes e definiu o padrão de distribuição elétrica mundial.
💡 Além dos sistemas polifásicos, Tesla trabalhou em rádio, alta frequência, iluminação e transmissão sem fios; algumas visões foram mais especulativas do que realizadas.
Fonte: IEEE History Center; Teslahistory.org; Encyclopaedia Britannica

George Westinghouse
1846–1914
📍 EUA (Nova Iorque)
Empresário e inventor que investiu massivamente no sistema AC de Tesla, criando a Westinghouse Electric. Comprou as patentes de transformação AC e financiou a eletrificação em larga escala.
💡 Também inventou o travão de ar dos comboios — salvou inúmeras vidas no transporte ferroviário.
Fonte: U.S. Dept. of Energy; IEEE History Center

Charles Parsons
1854–1931
📍 Inglaterra
Inventor da turbina a vapor de reação (1884), permitindo geração elétrica em escala industrial. A sua turbina revolucionou centrais elétricas e propulsão naval.
💡 Um protótipo do seu navio Turbinia foi o mais rápido do mundo — ultrapassou todas as embarcações da frota britânica durante uma inspeção naval em 1897, a toda a velocidade e sem avisar.
Fonte: IEEE ETHW; Encyclopaedia Britannica

Sebastian de Ferranti
1864–1930
📍 Reino Unido (família de origem italiana)
Engenheiro elétrico associado ao sistema AC britânico e ao projeto de Deptford, uma das primeiras centrais pensadas para transmissão a alta tensão.
💡 A sua obra mostra que a eletrificação foi um esforço internacional: patentes, transformadores, alternadores e redes evoluíram em paralelo em vários países.
Fonte: IEEE ETHW; Seaman, R. (1979). Ferranti: Engineer and Entrepreneur