Cronologia · 1139 — 2026

História de Portugal

Quase nove séculos de soberania, narrados com rigor cronológico e contexto histórico. Da Batalha de Ourique à democracia europeia: as datas, os protagonistas e os documentos que moldaram a nação mais antiga da Europa com fronteiras quase inalteradas.

1139
Ano da fundação
~887
Anos de história
34
Monarcas até 1910
4
Dinastias reais
Cronologia

Os marcos que definiram um país

Cinco grandes eras, organizadas por ordem cronológica, com datas verificadas e os acontecimentos centrais de cada período.

1139 Fundação de Portugal
Castelo medieval — ilustração simbólica da fundação

Fundação do Reino de Portugal

Após a Batalha de Ourique (25 de Julho de 1139), D. Afonso Henriques é aclamado rei pelas suas tropas, inaugurando a Dinastia de Borgonha (também dita Afonsina). O reconhecimento internacional consolida-se ao longo das quatro décadas seguintes.

  • 1128Batalha de S. Mamede: D. Afonso Henriques afirma o domínio sobre o Condado Portucalense.
  • 1139Batalha de Ourique e proclamação régia.
  • 1143Tratado de Zamora: Afonso VII de Leão reconhece a autonomia do reino.
  • 1147Conquista de Lisboa aos mouros, com auxílio de cruzados nórdicos.
  • 1179Bula Manifestis Probatum — o Papa Alexandre III confirma D. Afonso Henriques como rei.
  • 1249D. Afonso III conquista Faro: Reconquista concluída.
  • 1290D. Dinis funda os Estudos Gerais (futura Universidade de Coimbra).
1415 Expansão marítima portuguesa
Caravela com a cruz de Cristo — ilustração simbólica

A Expansão Marítima

Portugal lança-se ao mar e inaugura a era global. De Ceuta à Índia, do Brasil ao Japão, é construída a primeira rede planetária de comércio e contacto cultural — um século de invenção cartográfica, náutica e diplomática.

  • 1415Tomada de Ceuta: primeira conquista no Norte de África.
  • 1419–1427Redescoberta da Madeira e dos Açores.
  • 1488Bartolomeu Dias dobra o Cabo da Boa Esperança.
  • 1494Tratado de Tordesilhas: divisão do mundo entre Portugal e Castela.
  • 1498Vasco da Gama chega a Calecute, abrindo a rota marítima da Índia.
  • 1500Pedro Álvares Cabral aporta a Porto Seguro (Brasil).
  • 1543Primeiro contacto europeu com o Japão, em Tanegashima.
  • 1572Camões publica Os Lusíadas, epopeia da expansão.
  • 1580Filipe II de Espanha torna-se Filipe I de Portugal: União Ibérica (1580–1640).
1640 Restauração da Independência
Coroa real e escudo das quinas — emblemas da soberania restaurada

Restauração e Reformismo Pombalino

Após sessenta anos de domínio filipino, um grupo de conjurados restitui a coroa portuguesa. Segue-se um século de reorganização, riqueza brasileira e, mais tarde, a refundação de Lisboa pela mão do Marquês de Pombal.

  • 1 Dez 1640Conjura dos Quarenta: aclamação de D. João IV.
  • 1641Cortes de Lisboa confirmam a Restauração.
  • 1654–1665Guerra da Restauração contra Espanha (Vitórias de Linhas de Elvas, Ameixial e Montes Claros).
  • 1668Tratado de Lisboa: Espanha reconhece formalmente a independência.
  • 1 Nov 1755Terramoto de Lisboa (estimado em magnitude 8,5–9,0): cerca de 30 000 a 50 000 mortos.
  • 1758–1759Processo dos Távoras: atentado contra D. José I; execução pública dos acusados e expulsão da Companhia de Jesus.
  • 1761Pombal abole a escravatura no território continental português.
  • 1777Morte de D. José I; queda de Pombal sob D. Maria I (a “Viradeira”).
1820 Liberalismo e monarquia constitucional
Frontão clássico e Constituição — alvorecer do liberalismo

Invasões, Liberalismo e Monarquia Constitucional

Da fuga da corte para o Brasil ao regicídio de 1908: um século marcado pelas guerras peninsulares, pela primeira constituição, pelas guerras civis entre liberais e absolutistas e pelo desencanto do Ultimato.

  • 1807–1811Três Invasões Francesas; transferência da corte para o Rio de Janeiro.
  • 24 Ago 1820Revolução Liberal do Porto.
  • 23 Set 1822Promulgação da primeira Constituição portuguesa.
  • 7 Set 1822Independência do Brasil, proclamada por D. Pedro I.
  • 1828–1834Guerra Civil entre liberais (D. Pedro IV) e absolutistas (D. Miguel).
  • 11 Jan 1890Ultimato Britânico: Londres exige a retirada de tropas portuguesas entre Angola e Moçambique, gerando humilhação nacional.
  • 1 Fev 1908Regicídio: assassinato de D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luís Filipe em Lisboa.
1910–2026 Portugal contemporâneo
Cravos — emblema da Revolução de 25 de Abril de 1974

República, Estado Novo e Democracia

Em pouco mais de cem anos, Portugal atravessa três regimes distintos: República parlamentar, ditadura corporativista do Estado Novo e democracia europeia. A descolonização e a integração europeia redefinem o país.

  • 5 Out 1910Implantação da República: queda da monarquia e exílio de D. Manuel II.
  • 1916–1918Portugal entra na I Guerra Mundial ao lado dos Aliados (Batalha de La Lys, 9 Abril 1918).
  • 28 Mai 1926Golpe militar; fim da I República.
  • 1933Constituição do Estado Novo; Salazar consolida o poder.
  • 1961–1974Guerra Colonial em Angola, Guiné e Moçambique.
  • 25 Abr 1974Revolução dos Cravos: fim da ditadura.
  • 1974–1975Independência das colónias africanas; regresso de cerca de 500 000 retornados.
  • 2 Abr 1976Promulgação da Constituição democrática.
  • 1 Jan 1986Adesão à Comunidade Económica Europeia (atual União Europeia).
  • 1 Jan 2002Entrada do euro em circulação.
  • 2011–2014Programa de assistência económica e financeira (FMI/UE/BCE).
  • 2021Quarta presidência portuguesa do Conselho da União Europeia.
Dinastias e Regimes

As casas que governaram Portugal

Quatro dinastias monárquicas e três regimes contemporâneos que se sucederam ao longo de mais de oito séculos.

Borgonha (Afonsina)

1139 — 1383

Dos primeiros reis (D. Afonso Henriques) a D. Fernando I, atravessando a Reconquista, a fundação universitária e a crise sucessória de 1383–1385.

Avis

1385 — 1580

Iniciada com D. João I após a Batalha de Aljubarrota, é a casa real dos Descobrimentos. Termina com a morte do Cardeal-Rei D. Henrique.

Habsburgo (Filipina)

1580 — 1640

Os três Filipes governam Portugal numa união pessoal com a Coroa Espanhola, mantendo a autonomia institucional do reino.

Bragança

1640 — 1910

De D. João IV a D. Manuel II. Inclui a transferência da corte para o Brasil e a transição para a monarquia constitucional após 1820.

I República

1910 — 1926

Regime parlamentar com nove presidentes e mais de quarenta governos. Termina com o golpe de 28 de Maio.

Estado Novo

1933 — 1974

Ditadura corporativa, primeiro liderada por António de Oliveira Salazar e, a partir de 1968, por Marcelo Caetano.

III República

1974 — atualidade

Democracia parlamentar consolidada pela Constituição de 1976. Membro da NATO desde a fundação (1949) e da CEE/UE desde 1986.

Saber adicional

Factos verificados e contexto

Pequenos apontamentos que ajudam a compreender a profundidade de cada período, todos confirmados por bibliografia académica.

O tratado mais antigo do mundo

O Tratado de Windsor entre Portugal e Inglaterra, assinado em 9 de Maio de 1386, está oficialmente em vigor há mais de 630 anos, sendo a aliança diplomática mais antiga do mundo ainda activa.

Fronteiras de longa duração

As fronteiras continentais de Portugal estabilizaram-se essencialmente com o Tratado de Alcanizes (1297), entre D. Dinis e Fernando IV de Castela, mantendo-se quase inalteradas até hoje.

Universidade quase milenar

Fundada por D. Dinis em 1290 em Lisboa e transferida definitivamente para Coimbra em 1537, é uma das universidades mais antigas em funcionamento contínuo na Europa.

O terramoto que mudou a ciência

O sismo de 1 de Novembro de 1755, seguido de tsunami e incêndio, levou Sebastião José de Carvalho e Melo a aplicar metodologia sistemática de inquérito sísmico, considerada um marco fundador da sismologia moderna.

Património Mundial da UNESCO

Portugal conta com mais de 15 sítios classificados, incluindo o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém (1983), o Centro Histórico do Porto (1996) e a Universidade de Coimbra — Alta e Sofia (2013).

Língua global

O português é hoje uma das línguas mais faladas do mundo, com mais de 260 milhões de falantes nativos distribuídos por nove países e regiões da CPLP.

Verificação

Fontes e bibliografia

Datas, nomes e contextos foram confrontados com fontes institucionais, obras de referência e bibliografia académica.

Instituições e arquivos

  • Arquivo Nacional da Torre do Tombo (DGLAB)
  • Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas
  • Biblioteca Nacional de Portugal
  • Academia das Ciências de Lisboa
  • UNESCO — Lista do Património Mundial
  • Centro de Documentação 25 de Abril (Universidade de Coimbra)

Obras de referência

  • SERRÃO, Joel (dir.). Dicionário de História de Portugal. Iniciativas Editoriais.
  • MATTOSO, José (dir.). História de Portugal, 8 vols. Círculo de Leitores.
  • RAMOS, Rui; SOUSA, Bernardo Vasconcelos e; MONTEIRO, Nuno. História de Portugal. A Esfera dos Livros.
  • MARQUES, A. H. de Oliveira. Breve História de Portugal. Editorial Presença.
  • BIRMINGHAM, David. A Concise History of Portugal. Cambridge University Press.

Estudos especializados

  • BETHENCOURT, Francisco; CHAUDHURI, Kirti (dir.). História da Expansão Portuguesa.
  • VALÉRIO, Nuno (coord.). Estatísticas Históricas Portuguesas. INE.
  • HESPANHA, António Manuel. As Vésperas do Leviathan.
  • ROSAS, Fernando. Salazar e o Poder. Tinta-da-China.
  • Análise Social — Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Lisboa.
Nota metodológica: A historiografia evolui continuamente. A datação tradicional de 1139 para a Batalha de Ourique e a aclamação régia, sustentada pelas crónicas medievais e pelo subsequente Tratado de Zamora (1143) e Bula Manifestis Probatum (1179), é a convenção académica consolidada. O conceito de “Reconquista” como processo unitário tem sido revisto, sendo hoje mais habitualmente interpretado como uma sucessão de campanhas militares e de uma fronteira móvel ao longo de cerca de quatro séculos. Os números do terramoto de 1755 são estimativas baseadas em estudos sísmicos e paroquiais; a magnitude precisa permanece em debate.